2007-11-19

Metafísica do esquecimento

Agora, não só mas também, e espero eu que de vez, estou por este lugar esquecido.

2007-10-06

Quem não deve, não teme!

A sombra de João Cravinho

Cavaco Silva retomou ontem o assunto que dominou o seu discurso do ano passado - feito precisamente no dia que comemora a implantação da República. E tal como sucedeu em 2006, volta a fazê-lo num contexto de polémica no PS em torno das leis de combate à corrupção. Se há um ano o deputado socialista João Cravinho travava um braço de ferro com a direcção parlamentar do partido, no sentido de fazer aprovar um pacote de medidas que apresentara no Parlamento (sem consulta prévia ao grupo parlamentar), o mesmo assunto voltou esta semana à ribalta, com o agora ex-deputado a acusar o PS de uma "absoluta incompreensão" face ao fenómeno da corrupção. Em entrevista à revista Visão, o agora administrador do BERD [Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento ] é contundente: "Foi dos maiores choques da minha vida o mal-estar que o debate da corrupção causou no PS."


in Diário de Notícias

2007-10-01

Para quando a justiça?

"Carlos Cruz regressou ontem ao contacto cm o grande público após quase cinco anos de ausência em virtude do processo Casa Pia. Cruz, recorde-se, foi detido a 1 de Fevereiro de 2003, cumpriu 15 meses de prisão preventiva e continua a ser julgado no âmbito do referido processo.

Quando Carlos Cruz subiu ao palco foi aplaudido de pé por metade da sala, enquanto os restantes presentes, entre convidados e público em geral, permaneceram sentados e sem aplaudir."


in Correio da Manhã

Verde por fora, vermelho por dentro!

"O Governo em peso anunciou o arranque do ano lectivo 2007/2008 com pompa e circunstância. O sucesso era tal que merecia ser festejado, disse então a ministra. No entanto, as manchas da falta de professores e as más condições das escolas continuam a dar dores de cabeça aos pais, que não encontram motivos para comemorar."

in Correio da Manhã

O que parece não o é na realidade...

2007-09-29

É Verdade!

Mota Amaral, deputado, líder histórico do PSD-Açores, ex-presidente da Assembleia da República (no governo PSD-CDS), deixa um conselho: "É tão importante ser boa oposição como ser bom governo."

in Diário de Noticias

Tem razão...

(...)"as razões estão à vista: num congresso discutem-se ideias. Nas directas não se discutem ideias. Conquistam-se almas." Ângelo Correia

Onde eu me meti! A ver vamos...

Luís Filipe Menezes é o novo líder do PSD. Às 00h40, os apoiantes do autarca de Gaia já gritavam vitória, quando faltava apurar apenas 93 das 341 secções de voto. Menezes já arrecadava 16 498 votos (55,23%), contra 12.452 votos (41,68%) de Marques Mendes.

GANHAR TUDO EM 2009

"Demos uma lição de Democracia. Não iremos excluir ninguém. Iremos chamar todos ao combate. Vamos começar um combate leal, mas determinado contra PS”.

Esta foi, em síntese, a mensagem deixada hoje, à 1h30 pelo novo líder do PSD. Luís Filipe Menezes já traçou o objectivo: “Ganhar tudo em 2009”. Ano em que se realizam as eleições legislativas, autárquicas e europeias.

Por isso, o autarca de Gaia sublinhou que “hoje é um dia de esperança, mas também de grande responsabilidade”. Para cumprir o objectivo, Luís Filipe Menezes disse querer “todos os dirigentes, autarcas, militantes unidos”. O derrotado Marques Mendes foi, aliás, chamado para este combate.

O presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, que deixou o partido em ruptura com Marques Mendes, mostrou-se hoje radiante com a vitória de Menezes.


in Correio da Manhã

Assim não!

"Desembargador alegou laços familiares para sair do caso
Três juízes fogem do Apito Dourado

Ninguém quer julgar o ‘Apito Dourado’. A dança de juízes continua e desta vez foi mudado o relator do recurso que se encontra na Relação do Porto, relativamente ao despacho de pronúncia que vai levar a julgamento 24 arguidos no processo de Gondomar."


in Correio da Manhã

Aos cargos que teve e que tem, aos amigos que giram em volta dele, mais os seus conhecimentos, pergunto se haverá algum juíz que não tenha alguma ligação com o Sr. Major.

2007-09-28

Carácter! Um país de loucos...

(...)"A questão é que poucos políticos fariam igual a Santana Lopes. Todos ficariam tão aborrecidos quanto ele, mas a esmagadora maioria calar-se-ia ou talvez que um ou outro resmungasse qualquer coisa antes de continuar a debitar as suas opiniões com receio de não voltar a receber outro convite para tão importante tribuna de debate.

Como se sabe, não foi isso que Santana Lopes fez.

Nos minutos que durou a pobre reportagem sobre José Mourinho na Portela, ele pesou a falta de respeito, descobriu o caminho e desferiu o golpe orgulhoso. A entrevista-comentário perdeu-se ali, mas o político ganhou em nome de toda a classe e chamou a atenção para o desnorte que às vezes assola a comunicação social.

Este episódio não deve ser visto pelo lado do preconceito que uma grande parte do País hoje cultiva em relação ao protagonista. Deve ser registado como uma atitude que faz sentido e merece respeito."


in Diário de Notícias

2007-09-20

Cerveja e Literatura

A não perder é a rubrica lançada recentemente no Miniscente, de Luís Carmelo, dedicada a dois bens essenciais para a alegria e bem estar do espírito dos homens. Trata-se da série “Cerveja e Literatura”. Uma série que eu sempre desejei fazer, mas que, por falta de engenho, conhecimento e tempo, nunca consegui levar a avante. O certo é que, com tal obséquio de Luís Carmelo, fico convencido da bondade e qualidade da série e do interesse da mesma para todos os que apreciam sobremaneira aquelas duas belas utilidades para a alma.

E já agora, aproveito a oportunidade e aqui deixo o meu contributo:

Ora nesse tempo Jacinto concebera uma Ideia... Este Príncipe concebera a Ideia de que o «o homem só é superiormente feliz quando é superiormente civilizado». E por homem civilizado o meu camarada entendia aquele que, robustecendo a sua força pensante com todas as noções adquiridas desde Aristóteles, e multiplicando a potência corporal dos seus órgãos com todos os mecanismos inventados desde Teramenes, criador da roda, se torna um magnífico Adão, quase omnipotente, quase omnisciente, e apto portanto a recolher dentro de uma sociedade e nos limites do Progresso (tal como ele se comportava em 1875) todos os gozos e todos os proveitos que resultam de Saber e de Poder... Pelo menos assim Jacinto formulava copiosamente a sua Ideia, quando conversávamos de fins e destinos humanos, sorvendo bocks poeirentos, sob o toldo das cervejarias filosóficas, no Boulevard Saint-Michel.


Eça de Queirós. A Cidade e as Serras, Romances Completos de Eça de
Queirós. Vol. 6, Círculo de Leitores, 1993.

2007-09-12

Os Chineses estão em todo lado!

"Por todo lado, o líder espiritual dos tibetanos é acolhido por Governos e Chefes de Estado que pouco se importam com as ameaças de Pequim. Nós não. Pela segunda vez. Em 2001, Guterres fez a mesma triste figura.

E Jorge Sampaio preferiu inventar uma cegada: simulou um encontro casual no Museu Nacional de Arte Antiga, circunstância e local que traduziam bem a tortuosa feição da sua presidência. Seis anos depois, perante a jactância da ditadura chinesa, as autoridades portuguesas humilham-se novamente.

Para, em seguida, imaginando-se muito coerentes e sem qualquer pingo de vergonha, Cavaco, Sócrates, Amado e as imitações que se lhes seguirem, continuarem a bradar na Europa e em todo o Mundo pela defesa intransigente dos direitos humanos e da liberdade. Obviamente."


Carlos de Abreu Amorim

in Correio da Manhã

2007-09-11

A propósito de nem sei o quê...

What European City Do I Belong In?


You Belong in Dublin

Friendly and down to earth, you want to enjoy Europe without snobbery or pretensions.
You're the perfect person to go wild on a pub crawl... or enjoy a quiet bike ride through the old part of town.


Via Fixedwords.

Pois bem, seja Dublin. Mas não desdenharia Bruxelas, ou Zurique, ou mesmo Trieste, ou até Viena... Enquanto isso, vou-me quedando pela mui bela e nobre cidade de Viana do Castelo.

2007-09-10

Quase 45 dias depois...

e um rato novo, cá estou para mais algumas reflexões, inflexões, meditações, algum juízo, pouco tino, e, espero eu, mais alguma regularidade no que toca à minha participação neste lugarejo perdido da blogosfera.


Assim vai a nossa democracia...

"Afinal...
...sempre há maneiras de ler aqui o artigo do José António Cerejo, ontem, no Público. Agradecendo desde já ao Blasfémias, ei-lo:

O sonho de Sócrates que se tornou realidade



Em Novembro de 2001, o então ministro do ambiente, José Sócrates, sonhou com uma lei inexistente. E o chegar ao seu gabinete escreveu uma carta a um jornalista do PÚBLICO. Queria avisá-lo de que a «invocação pública» de uma escuta telefónica feita pela Judiciária a uma conversa em que ele intervinha «constitui a prática de um crime». A advertência, feita com o intuito de travar a publicação de uma notícia referente a essa escuta, não tinha qualquer fundamento legal. Na semana passada, porém, o sonho de José Sócrates tornou-se realidade.

Revelar o teor de uma escuta telefónica constante de um processo judicial que não se encontrava em segredo de justiça não era crime em 2001. Nem ninguém sonhava que o viesse a ser, a não ser Sócrates e, eventualmente, alguns dos que o acompanhavam na presente cruzada contra a liberdade de informação. Mas a declaração de «jornalismo de sarjeta» já tinha sido feita nas páginas do PÚBLICO. Numa carta publicada neste jornal em 1 de Março de 2001, Sócrates perorava sobre ética e deontologia dos jornalistas e anunciava o que aí vinha: «Parece que é tempo de começar a combater as éticas de plástico que outros agora sustentam [referindo-se a alguns jornalistas], por mais politicamente incorrecto que isso possa ser.»

Meses depois, quando o PÚBLICO o confrontou com a escuta telefónica em que dava instrucções a um empresário seu amigo sobre o que devia fazer para interferir no resultado de um concurso público, Sócrates desejou tanto que os seus sonhos fossem realidade que não se coibiu de qualificar como crime aquilo que nunca o fora. A conversa tinha sido gravada anos antes, quando ele era deputado, e resumia-se a uma recomendação para que o empresário contactasse, e posteriormente recompensasse, um seu colaborador do aparelho socialista da Covilhã. A este, que era assessor do presidente da câmara local e a quem Sócrates telefonaria entretanto, caberia fazer o possível para resolver o problema do concurso.

A imagem que sobressaía dessa conversa, gravada porque o empresário em causa estava a ser alvo de uma investigação judicial, era a de um deputado que se prestava a usar a sua influência para favorecer um amigo (por acaso financiador do PS) no quadro de um concurso público. E esta era, independentemente do seu interesse público e da legalidade indiscutível da divulgação da conversa, a última coisa que José Sócrates quereria que dele dissessem.Naturalmente o PÚBLICO não se deixou intimidar com a invocação de uma falsa proibição legal. Nem tão pouco com a solene comunicação com que o ministro do Ambiente terminava a sua carta: «Informo-o que recorrerei a todos os meios judiciais ao meu alcance para defesa da minha honorabilidade e da reserva da minha vida privada».

Publicada a notícia em Janeiro de 2002, Sócrates escreveu ao director do PUBLICO afirmando que o texto não passava de «especulações delirantes e insinuações falsas e injuriosas». E acabava declarando: «Porque o Sr. Cerejo [o jornalista] muito bem sabe que cometeu vários crimes com a publicação destes textos, prestará contas em tribunal». Na verdade, os anos passaram-se e as ameaças, antes e depois da revelação da conversa, não deram origem a nenhum processo judicial da iniciativa de José Sócrates. O agora primeiro-ministro bem sabia que a história do «crime» era, e tão só, um sonho seu. Quem se queixou em tribunal foi Carlos Martins, o assessor que ele recomendou ao empresário e que era então ( e ainda é) presidente de uma junta de freguesia da Covilhã. Alegou que o seu nome tinha sido manchado pelo jornal, mas, meses depois, desistiu do processo. Presentemente está colocado no gabinete do primeiro-ministro e é um dos seus três adjuntos para os assuntos regionais.

A partir da semana passada, José Sócrates já não precisa de ameaçar jornais e jornalistas com tribunais e com leis que não existem. Veio tarde, para o caso da Covilhã, mas veio a tempo para muitos outros casos e para muita gente que pretende esconder, com o seu direito individual à privacidade, o direito de todos os portugueses à verdade sobre quem os governa.
José Sócrates está a ganhar a sua guerra contra as liberdades. As sucessivas leis que tem vindo a fazer publicar e matéria de comunicação social estão a transformar-se numa mordaça. A criminalização da divulgação de escutas telefónicas que não estão em segredo de justiça, aprovada com os votos favoráveis do PSD, é apenas mais um passo na concretização do sonho do primeiro-ministro."


in Glória Fácil

2007-09-08

O respeito do eterno aliado...O poder político inglês envolvido no caso!

"Dito de outra forma: a fortíssima pressão que existe a nível mundial sobre este caso (só me lembro de uma coisa assim nos últimos trinta anos com o caso O. J. Simpson), com particular destaque para Portugal e Inglaterra, não é compatível com a tranquilidade, os métodos, a paciência necessários ao êxito da investigação criminal. Por isso que se diga que o tempo do jornalismo não é o mesmo tempo da justiça. Ao jornalista basta-lhe a confirmação de uma fonte ou duas, sejam pessoais ou documentais; a polícia precisa de confirmar exaustivamente cada indício na medida em que os seus actos podem atingir imediatamente os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.

As notícias que vão chegando de Inglaterra, raiando o insulto, apoiadas em declarações quase histéricas de raiva, ódio e racismo contra Portugal e a polícia portuguesa são a expressão mais visível das forças que se movimentam para liquidar esta investigação. E desgraçadamente para os homens da PJ que estão no terreno da investigação poucos têm sido os apoios e muitos os silêncios que a cobardia política, disfarçada de prudência, continua a omitir.

Raramente assumo uma parte quando escrevo. Procuro afastar-me, ser distante, emitir juízos não contaminados por paixões. Mas por lealdade aos meus leitores, e ao jornal que dá abrigo às minhas palavras, devo confessar que neste momento, neste caso, em nome da amizade, do reconhecimento da competência aos meus antigos colegas, e sei que são dos melhores que neste caso estão a trabalhar, à defesa dos valores da nossa justiça, da honradez do trabalho que estão a fazer, tomo partido. Sobre este caso, estarei aqui a defender a polícia. Em nome da verdade. E em nome dos valores em que acredito. Nomeadamente do meu país, da terra dos meus filhos e dos meus netos. Que é pobre, onde a imprensa não tem a força dos outros, nem a política a força dos outros, mas cuja polícia, neste caso, tem provado que os melhores ideais de cidadania têm de ser defendidos. Custe o que custar. Seja quem for o criminoso."



Moita Flores, Criminalista

in Correio da Manhã


"A forma como o desaparecimento de Maddie foi tratado até agora pelos jornais ingleses explica o êxito fácil de um qualquer assessor ágil."

Octávio Ribeiro

in Correio da Manhã

O PCP passou-se de vez!

"Não é possível ter uma posição dúbia nesta matéria. O PCP precisa urgentemente de se reformar, actualizar conceitos, para poder continuar a ser o partido que defende os trabalhadores portugueses. É que os trabalhadores repudiam, com elevado grau de certeza, a homenagem que o PCP vai fazer na Festa do Avante aos terroristas da Colômbia. O PC vai pagar um preço político por isso. Nem os jovens, nem os trabalhadores, nem as mulheres, nem os intelectuais, nem os velhos, nem os reformados. Ninguém em Portugal aceita o terrorismo, muito menos depois do 11 de Setembro. Vive-se agora a fase mais intensa de uma luta surda contra grupos terroristas que dispõem de todos os meios para criar cenários de tragédia."

in Correio da Manhã

2007-09-05

Será? O futuro dirá...

(...)José Sócrates não só dissolveu as expectativas nele depositadas. Avariou, irremediavelmente, a grandeza de intenções contida na ideia de socialismo. Guterres causara amolgadelas graves no corpo cambaleante do infeliz partido, mas nada que se compare às cacetadas de Sócrates. Daqui para o futuro quem vai acreditar nos socialistas, no socialismo, no PS?, cuja história carrega um peso insuportável de derivas, desvios e traições.

José Sócrates pode ser um guloso de tecnologia, um amante desvairado de cibernética, um "animal feroz", como se definiu numa preguiçosa e insensata entrevista ao Expresso. O que José Sócrates não é, sabemo-lo todos - e todos os dias: nem socialista, nem grande político nem grande primeiro-ministro.


in Diário de Notícias

2007-08-24

Rebeldia legitimada...

"O leitor não está de acordo com o IRS que lhe foi cobrado? Nada mais simples: convoque meia dúzia de amigos e dê uma coça aos funcionários das Finanças do seu bairro fiscal. É a isto que se chama desobediência civil. Afinal de contas todos temos direito ao nosso momento de indignação."

Jorge Canhoto, PÚBLICO, 23-08-2007 (sobre a destruição de milho transgénico em Silves pelo Movimento Verde Eufémia)

2007-08-04

Por fim, férias!

A semana que agora findou foi uma longa semana, preenchida por excursões aos serviços burocráticos do Alto Minho, locais sempre aprazíveis em Agosto, e ainda umas idas ao Arquivo Distrital de Viana do Castelo no qual remexi em velhos e bafientos livros de escrituras e afins. Mas eis que, por fim, estou de férias.
E logo após apreciar devidamente por estes dias a romaria de N. Senhora das Neves, no meu caso mais a vertente profana, rumarei ao centro deste nosso pequeno país.

A minha participação neste estabelecimento será, deste modo, e como o foi esta semana, bastante limitada nos próximos tempos.

Desejo umas boas férias a todos!

2007-08-02

José Lima, um paraplégico em luta pelos direitos, justos, das pessoas com dificuldade de locomoção

José Lima partiu da Praça da República, em Viana do Castelo, bem cedinho, na mahã do dia 1 de Agosto, rumo ao Algarve, mais concretamente a Faro.


Este paraplégico, licenciado e desempregado, "arrancou"com a sua cadeira de rodas adaptada e começou a "pedalar" com a sua força de braços (é assim que o seu modo de transporte se movimenta) e uma enorme coragem, para demonstrar a todos nós que por se ser deficiente, não se é menos que ninguém e sobretudo para alertar para as, ainda hoje, gigantescas dificuldades com que se debatem estes cidadãos no seu quotidiano.
A sua viagem terá paragens nocturnas, com o objectivo de fazer descansar este espiríto lutador.
Será acompanhado sempre por uma patrulha da GNR ou da PSP consoante a localidade onde se encontre.
Ao que parece, ainda existem pessoas de muito valor no Alto-Minho.
Louvável iniciativa.

2007-07-28

Há percepções e percepções...

"Eu acho profundamente injusto que Manuel Alegre (...) olhe para o melhor Governo que se formou em Portugal depois do 25 de Abril com olhos de cego.

Temos uma equipa governativa que, à beira do abismo, assume com coragem a tarefa inadiável de reformar Portugal. Até agora a sua acção foi decisiva. Com determinação mas sem despotismo. De tal modo assim é que ainda ontem uma sondagem da Marktest mostrava com clareza como o povo português conferiria outra vez ao PS uma nova maioria absoluta para governar.

Em síntese, os portugueses sabem que nunca se fez tanto nem de forma tão eficaz nestes dois anos de governação. E sabem também que depois da tempestade vem a bonança. Claro que há falhas e nem tudo foi perfeito. Mas não há termo de comparação. A postura diletante de Manuel Alegre, entre uma ‘ida’ aos patos e uma pescaria no Mondego, não se compatibiliza com um Governo determinado e organizado. O medo é pura ficção."

Emídio Rangel in Correio da Manhã

Propaganda e Natalidade

"Os subsídios à natalidade servem para captar uma fatia do eleitorado oferecendo em troca garantias económicas de que esse segmento terá mais hipóteses de se reproduzir com sucesso.
O actual Governo optou por distribuir a maior parte dos incentivos à natalidade pela população de classe mais baixa, provavelmente por acreditar que este é o segmento mais fácil de captar. Mas o Governo deve ter cuidado. Os membros da classe média sentiram-se castrados."

Diário de Notíccias

2007-07-27

Só podem estar a brincar...

O Ministério da Justiça torna, esta sexta-feira, Portugal no primeiro Estado europeu a marcar presença, de forma oficial, no Second Life, mundo virtual em tudo idêntico à realidade.

In Diário Digital.

Eu até tenho toda a estima pelo actual Secretário de Estado da Justiça, João Tiago Silveira, não tivesse sido ele um dos meus assistentes na faculdade com mais competência (científica e pedagógica) e do qual guardo uma excelente memória. Mas perante este anúncio não posso deixar de manifestar o meu repúdio por tamanha ofensa a todos os que trabalham e lidam com o sistema judicial português. Construir um centro de mediação e arbitragem virtual numa plataforma de jogo virtual (que só conheço pelos media) até pode ser uma ideia muito curiosa e original, e dispendiosa como sempre, mas atendendo às actuais condições reais do sistema judicial português, à sua falta de meios, à escassez de funcionários e magistrados judiciais, bem como ao estado calamitoso da actual gigantesca pendência processual, só podemos estar perante um verdadeiro aceno cómico do Sr. Secretário de Estado. Ou isso, ou então uma completa falta de noção da realidade dos tribunais e serviços jurídicos públicos em Portugal. É que há ínfimas situações, e bem reais, algumas nem próprias de um país que se quer desenvolvido, que urgem resolver. Aliás, o que dirão sobre isto os funcionários e magistrados que trabalham actualmente nos Juízos Cíveis ou no Tribunal do trabalho de Viana do Castelo?
É desta maneira, e com outras que tais, que vemos em que gastam o seu tempo os assessores e secretários do Ministério da Justiça do Sr. Alberto Costa....

Obrigado pela sugestão

No seguimento da conversa com o meu amigo Edgar em plena Avenida dos Combatentes da Grande Guerra e do post do Paulo Vilaverde, abriu-se o apetite poético e não resisti. Se me dão permissão, aqui vai mais uma obra prima da referência mundial Fernando Pessoa.
Este pequeno mundo brilha mais quando é feito de grandes amizades e também de agradáveis conversas.

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.

in Fernando Pessoa

2007-07-25

Mendes versus Menezes

"A opção que os militantes laranjas vão fazer daqui a dois meses é muito simples: se Marques Mendes ganhar, o PSD desiste de tentar derrotar o PS de José Sócrates em 2009; mas, se vencer Menezes, o PSD vai lutar até mais não para tirar os socialistas do poder. Nem que seja para ser ainda mais socialista do que os propriamente ditos, logo a seguir... "

http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=251401&idselect=93&idCanal=93&p=200

PSD no centro-esquerda? Não...
PSD no poder? Sim, mas quem nos leva lá?

O PSD não se sente motivado para as eleições directas. Os militantes terão que escolher aquele candidato que desgostam menos e não aquele com que se identificam.
As eleições servirão para aqueles que têm pretensões no aparelho partidário e nas eleições de 2009. Quem não acertar na escolha, não será deputado. Mas mesmo que faça a escolha que o leve ao aparelho e/ou a deputado, será a melhor opção?

Se Menezes pode ter melhores resultados em 2009 que Mendes, é porque a qualidade política é preterida em favor do populismo.

O Voto?

Democracia, o tema basilar da sociedade e deste blogue que tem andado um pouco esquecido por este território pensante.

"Amargo é imaginar que durante tantos séculos, multidões lutaram pelo direito de voto: as minorias étnicas, as mulheres, os jovens... e agora que esse direito está adquirido outras multidões desprezam-no."

"O nosso sistema democrático deveria reconsiderar a obrigatoriedade do voto, tal como acontece no Brasil. A penalização em relação às faltas injustificadas deveria ter como consequência, inspirada na Grécia Antiga, a perda temporária do estatuto de cidadão. Se não cumprir o dever de votar é demitir-se do estatuto de cidadão, que seja então assumido esse ónus pelos abstencionistas."


http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=251399&idselect=93&idCanal=93&p=200


Tendo em conta os números preocupantes da abstenção, deverá ser obrigatório exercer um acto intrínseco à democracia como é o voto, sendo este considerado um direito ou mesmo tempo que um dever?

Goste-se ou não se goste!

Manuel Alegre:

"O deputado socialista questiona “a sensação de que nem sempre convém dizer o que se pensa”

“Não tenho qualquer questão pessoal com José Sócrates, de quem muitas vezes discordo, mas em quem aprecio o gosto pela intervenção política”, escreve o deputado, acrescentando, “o que ponho em causa é a redução da política à sua pessoa”, lamentando a falta de “alternativa à sua liderança”, dentro do próprio partido, mas também no PSD.

2007-07-24

Eric Clapton - After Midnight Live

Costumo afirmar que se o piano é o rei dos instrumentos musicais, então a guitarra eléctrica é a rainha. Há até quem compare a musicalidade da guitarra eléctrica a uma pintura de Vicent van Gogh, atendendo a todas as variações de cor presentes nas suas belas obras.

Mas vem isto a propósito de um DVD que recentemente adquiri, em detrimento de uma biografia de Júlio Dinis, de um concerto ao vivo que Eric Clapton, secundado por Mark Knopfler, deu na Califórnia já nos idos de 1988. Clapton, diga-se, é considerado o deus da guitarra, um exímio e genial executante, e é um dos artistas musicais mais reconhecidos no mundo inteiro, até porque não deixou de ter uma vida preenchida com algumas polémicas e tragédias, factos francamente explorados, como é habitual no meio, por aqueles que se dedicam à exploração comercial de desgraças alheias.

No DVD After Midnigh – Live, gravado, como referi, em 21 de Setembro de 1988, no Shoreline Amphitheatre em Mointain View, numa atmosfera bem intimista e descontraída, podemos contar com os temas mais conhecidos do guitarrista, seja da carreira a solo, seja do período em que passou pelos Cream e pelos Derek & Dominos. Todo o concerto é dominado por uma cumplicidade perfeita entre Clapton e o guitarrista e ex-líder dos Dire Straits, Mark Knopfler. Aliás, este último teve até a oportunidade de tocar o eterno êxito da sua ex-banda, Money for Nothing.

Enfim, um concerto que me enche as medidas, por dois artistas que além de tudo o mais, sabem como pegar e tocar uma Fender Stratocaster como mais ninguém neste mundo. E depois têm ainda ambos toda aquela presença em palco que só os artistas britânicos sabem ter.

Eric Clapton, uma vez apelidado de deus, é o guitarrista/trovador que fez a simbiose perfeita entre o rock e o blues norte-americano, roçando ainda e de forma genial o rock psicadélico aquando da passagem pelos Cream.

Aqui deixo um cheirinho do que se pode apreciar no DVD.



Cocaine - Eric Clapton (um tema original de J.J. Cale)

A saga continua!


"Quem assitiu à apresentação do Plano Tecnológico da Educação, certamente reparou no olhar feliz e emocionado de uma plateia repleta de crianças. Há mesmo quem diga que viu algumas lágrimas de felicidade deslizarem pelos rostos infantis presentes, comovidos com o lema «um computador por escola!».

A alegria, porém, não passou de uma grande encenação, já que as crianças presentes foram contratadas por uma agência de casting. A cada catraio coube a quantia de 30 euros. Em tempo de crise e restrições, o governo parece ter encontrado a solução para a bela da retoma: uma clara aposta no trabalho infantil."

in blogue: fusco-lusco


Assim se governa, assim se ilude os portugueses...

Noites assim...

"Penso e repenso, em tudo e em nada, parando e soluçando num encharcado lenço acabado de embarcar no imenso mar das minhas lágrimas do eterno sonhar. Lâminas que espelham um coração cortado, um coração abalado. São cortes fundos sem cura. Cortes que transbordam uma amargura mais doce que o sal, porque esta dor a todos faz mal. São dores que falam com sais mas que não acordam os mais belos sentimentos nesta vida fugida de lamentos."

A todos os poetas portugueses...

Mas em especial a um que recitou hoje Fernando Pessoa em plena confeitaria à hora do almoço...


A UM POETA

Surge et ambula!

Tu, que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,

Longe da luta e do fragor terreno,


Acorda! é tempo! O sol, já alto e pleno,

Afugentou as larvas tumulares...

Para surgir do seio desses mares,

Um mundo novo espera só um aceno...



Escuta! é a grande voz das multidões!

São teus irmãos, que se erguem! são canções...

Mas de guerra... e são vozes de rebate!

Ergue-te pois, soldado do Futuro,

E dos raios de luz do sonho puro,

Sonhador, faze espada de combate!


Antero de Quental

2007-07-22

Ideias para a gaveta

Um valor monetário igual ao valor que em média fica ao Estado o aborto de um feto deverá ser um dos beneficio para uma família que tenha o nascimento de um filho. Isto de pouco valeria, mas pelo menos colocaria em pé de igualdade os que abortam e os que valorizam a vida.

Para quando PSD?

Todos criticam mas ninguém se chega à frente. Este cenário des tem sido, infelizmente, o quotidiano do partido. Aguiar Branco, uma decepção até o momento e Ferreira Leite tem-se apresentado, ou não, ultrapassada (nunca avança e não valorizei a sua atitude nas intercalares de Lisboa). Santana Lopes não existe e Menezes, ainda que seja o único a dar a cara, considero-o um puro populista. Borges, que em tempos foi uma esperança para o partido e para os portugueses, está parado e alimenta o mito que há muito tem paralisado o país, o Sebastianismo.
Depois destes todos, que valem pouco mais do que nada porque pouco ou nada mostraram, restam os Cavaquistas que há muito deixaram de fazer parte da louça utilizada - mas que continuam por lá e a influenciar a decoração laranjinha - e os Barrositas que não viajaram para Bruxelas e vivem de alianças, pois sabem que o seu tempo ainda não chegou. Chegará?

Nas condições actuais é muito difícil fazer um bom trabalho e um trabalho produtivo. Antes a pena era cumprida no outro mundo, agora, dizem os mais velhos, é cumprida cá. É o caso do PSD. O povo está a castigar o PSD das irresponsabilidades cometidas aquando a sua estadia prematura no governo da República. Se as circunstâncias em muito dificultam o trabalho nobre e prestigiante de oposição do PSD, a constante e prejudicial guerrilha interna ainda mais. O sofrimento está a ser lento e penoso para o Partido, enquanto os "cabeçilhas" do crime ou são referências europeias ou continuam a "andar por aí"...


Intercalares

Em termos eleitorais, a perda da Câmara de Lisboa é, enquanto líder do PSD, a 1ª grande derrota de Marques Mendes. Talvez o dossier da Câmara de Lisboa não tenha sido gerido da melhor forma, mas a Marques Mendes para além de se pedir coerência máxima nas suas medias, pedia-se ao mesmo tempo que colocasse um fim à falta de governo na Câmara por incapacidade de Carmona em gerar consenso político. Se o candidato era fraco, que não era a meu ver, foi porque ninguém se mostrou disponível para morrer na praça pública com a camisola do PSD.
  • Onde pairou a Paula Teixeira da Cruz? Qual o contributo de Manuela Ferreira Leite?
Ainda assim, não posso deixar de dizer que os chavões utilizados pela campanha do PSD não foram oportunos, muito menos eficazes.
  1. Já se sabia da dificuldade da tarefa e, portanto, não se poderia tirar dividendos dos resultados finais;
  2. Câmara Municipal é uma coisa e governo é outra (temo é que o PS não pense da mesma forma);
  3. O PSD é muito mais do que isso e teria era de apresentar as suas próprias ideias, que à semelhança dos outros candidatos eram muito poucas...
  • Mendes que fora sempre calculista e meticuloso, veja-se as Presidenciais e as Autárquicas, desta vez meteu a cabeça na toca, e o lobo apareceu...

Feitiço contra o feiticeiro

Todos conspiram, talvez em parte como no tempo do pivot Marques Mendes. Mas, na verdade, os conspiradores que por vezes se revelam artistas na sabotagem e na sombra, não são capazes, quando chamados a liderar, de pautar tão árdua tarefa que é liderar um partido com vocação de poder na oposição, tornando-se, com efeito, também presas das armas que os lançaram. Quem com ferros mata, com ferros morre.

Menezes versus Mendes


Entre Menezes e Mendes, por exclusão de partes, aposto em Mendes. Para fogo de artifício já temos o governo de Sócrates e o São João do Porto/Gaia. Contudo, não posso deixar em claro o espírito combativo e determinado de Menezes. Reconheço que talvez esse estilo de homem convicto e batalhador pudesse ser útil a Mendes, mas o conteúdo desfasado nunca.

  • Se Menezes dificilmente chegará onde quer, também Mendes muito dificilmente chegará onde pretende. Ambos estão no púlpito onde foram dados a conhecer, mas nenhum saltará de nível. O elevador está avariado por inércia interna e as escadas cortadas por uma florista e uma frutaria. Resta pela varanda, mas os ventos nacionais não estão de feição.
Os apoiantes de Mendes são os poucos fiéis seguidores que ainda sobrevivem e ainda os que não se revêem em Menezes, por outro lado, os apoiantes de Menezes são os poucos alojados na nortenha trincheira e os adversários assumidos de Mendes.

No fundo, poucos são os apoiantes que defendem convictamente os candidatos, isto por se apoiar mais por exclusão de partes e por salvaguarda de interesses do que pela esperança nos mesmos. Compreende-se. Estes não são, de forma alguma, os melhores para o partido e para o país, nem nunca foram, como nunca serão.

O complexo de direita

O PSD não deve enveredar pelo centro-esquerda como muitos defendem, o PSD deve escolher o caminho que mais serve o país, o centro-direita. O partido líder da oposição não deve trocar de papel com o PS de Sócrates. Deixem os complexos que têm condicionado e atormentado a orientação política do partido. Na verdade, talvez passasse um pouco por aí a falta de coragem em tomar decisões políticas dos últimos governos do PSD.

Mudança de Estratégia


O PSD para reanimar não precisa só de um bom líder, precisa de mais confronto ideológico e de menos táctica por parte de potenciais candidatos e apoiantes (sempre na salvaguarda de possíveis cenários favoráveis). Se o PSD é um partido com várias orientações, pergunto por onde é que elas andam, quando ninguém apoia o actual líder e quando ninguém o afronta directamente?

Um partido aberto, plural e vivo deveria apresentar mais candidatos à liderança e com qualidade, mas não é o que se vê. Ninguém assume, ninguém aparece...Nos momentos difíceis poucos dão a cara para que em cenários mais favoráveis possam aparecer de cara lavada.

  • Nas intervenções dos críticos da liderança do PSD muito se tem falado do estilo e da forma que o actual líder tem feito oposição ao governo socialista, mas em termos de ideias e de programa pouco ou nada se tem ouvido falar. O combate interno deveria servir não só para clarificar a situação interna do partido, mas também para mostrar o vigor do partido e as várias correntes políticas e ideológicas que se albergam no diversificado PSD. Veja-se nas eleições do PS onde as diferenças ideológicas emergiram por completo.

  • Os candidatos do PSD devem apresentar, não só a estratégia de oposição, como também, e, essencialmente, a visão que têm para o país, a partir, por exemplo, de um governo sombra e de iniciativas próprias que mobilizassem e diferenciassem/marcassem. Mas isso não acontece. Por muito que nos custe, não são as ideias, mas sim a retórica e a imagem que ganham os votos. O bom orador pode dizer a maior barbaridade ou dizer muito pouco, mas como o diz de forma eloquente, a mensagem passa como se fosse verdadeira e útil.

  • Ninguém está disponível para arriscar. Todos os entrincheirados estão à espera que esteja um dia de céu limpo com um sol radioso para que possam fazer uma corrida triunfal até ao cadeirão de 1º Ministro. Os possíveis candidatos têm de entender que a oposição é um lugar que em nada desprestigia o político e a política, pelo contrário, valoriza a política e permite a aquisições de várias competências e conhecimentos ao político.

A oposição como uma oportunidade

A oposição é um excelente palco com uma visibilidadee incomparável. Nela pode-se mostrar que se é alternativa ao partido no exercício do poder. A oposição serve para preparar um futuro governo, para assumir o poder, para afrontar a governação com um programa alternativo. O problema é que todos vêem a oposição como um sacrifício, como uma travessia no deserto. Na realidade, possivelmente tenha sido esse um dos problemas do PSD de Durão Barroso quando não estava preparado para assumir os destinos do país.

A oposição precisa de um PSD forte que intervenha em coro afinado de forma eficiente e eficaz, com alternativas viáveis e descomplexadas. O País precisa do PSD mais do que se pode pensar, mesmo que ande moribundo, sem ideias e fragmentado.

O valor e a necessidade do PSD


  • O PSD faz parte da construção da democracia, o PSD foi a base de apoio aos governos que coincidiram com a melhor performance económica e com o maior desenvolvimento do país pós 25 de Abril. O PSD incorpora Homens com desmedido valor e com honrosa vontade de ajudar Portugal e os portugueses.

  • "Os portugueses que contemplam a democracia, o pragmatismo, o reformismo, a mobilização, a liberdade, o progresso, o empreendorismo, o risco, o trabalho, a disciplina, o respeito, o rigor, a competência, o mérito, a inovação, a liberdade individual, o humanismo, a solidariedade, a consciência social, o valor da partilha, a importância da comunidade, as raízes culturais de Portugal, a posição geoestratégica de Portugal, a iniciativa privada, o estado reduzido mas forte e o rigor orçamental são todos aqueles que dão corpo ao PSD."

O PSD deve agir conforme a imagem que deve transparecer para os portugueses em termos políticos. Os militantes do PSD não devem pensar só no que o líder pode fazer pelo partido, com efeito, devem, também, pensar, enquanto militantes, no que podem fazer pelo partido (positivo).

Aposta na Natalidade?

Incentivo à natalidade? Mais propaganda...

Estou mesmo a ver as portuguesas a terem mais filhos em troca de uns trocados miseráveis...

2007-07-20

"Da Cozinha à Biblioteca"

O caro José Gomes André, do digníssimo Bem pelo contrário, obsequiou-me com uma daquelas correntes, mais habituais nos e-mails, nas quais o destinatário, após cumprir o estipulado no objecto dessas correntes, deverá, por sua vez, reenviar para outras pessoas e por aí fora. Ora, normalmente até nem costumo dar continuidade a estas correntes, submetendo-me, muitas das vezes, a horríveis consequências e hediondos castigos divinos e do além, para não referir o prémio milionário que daquela forma desperdiço.

Mas, atendendo ao conteúdo da corrente, bem como à origem da mesma, irei satisfazer o repto lançado.

O desafio consiste em indicar as últimas refeições tomadas e os últimos cinco livros “desbravados”.

Em relação às refeições a tarefa não é especialmente difícil: baguete de atum, baguete de lombo, baguete de atum outra vez, baguete de frango, e de novo de atum, hoje vá lá, e como foi sexta-feira, comi lulas estufadas. Mas, e em abono do bom nome da melhor confeitaria de Viana, diga-se que aquelas baguetes são, na medida do possível, as melhores baguetes que há para almoços de 10 minutos que se podem encontrar por estas terras galaico-lusitanas.

No tocante aos livros, outro tipo de alimento, agora do espírito, além dos que actualmente ainda estou a ler – Ilíada de Homero, Deuses da Mitologia de Manuel Rodrigues, e Dom Casmurro de Machado de Assis -, os últimos que instruí foram, salvo erro:

A Cidade e as Serras, de Eça

Serões da Província, de Júlio Dinis

Gente de Dublin, de Joyce

O triunfo dos porcos, de Orwell

Filosofia Grega Pré-socrática, de Pinharanda Gomes


E pronto, agora lanço este repto, desafio, corrente, ou lá o que seja, aos meus caríssimos amigos do Liberdade Democrática, ao caro Júlio Silva Cunha, ao caro Jorge A., ao caro Paulo Vilaverde, e aos meus caros amigos Mig, Cláudia, e Alex. E caso não não o façam meus amigos, nem imaginam os azares que Belzebu e companhia vos darão!

Comentários que valem um post

Não existe ocupação tão agradável como o saber; o saber é o meio de nos dar a conhecer, ainda neste mundo, o infinito da matéria, a imensa grandeza da Natureza, os céus, as terras e os mares. O saber ensinou-nos a piedade, a moderação, a grandeza do coração; tira-nos as nossas almas das trevas e mostra-nos todas as coisas, o alto e o baixo, o primeiro, o último e tudo aquilo que se encontra no meio; o saber dá-nos os meios de viver bem e felizmente; ensina-nos a passar as nossas vidas sem descontentamento e sem vexames.


Marcus Cícero, in 'Disputas Tusculanas'

Citação da cortesia do caro Paulo Vilaverde, num comentário a um post in infra.

E já faz tempo que li as belas e argutas Catilinárias, que outrora eram de leitura obrigatória para qualquer aprendiz de causídico ou aspirante a político. Este, como aquele e outros textos, que já não servem à actual "sociedade do conhecimento", repousam agora esquecidos em velhas bibliotecas de mosteiros e de conventos...

A força da Tradição! Faltam 12 dias

2007-07-19

Conclusões...

O SNS (Serviço Nacional de Saúde) português funcionará melhor, não só quando os recursos humanos forem mais eficientes e eficazes, não só quando os serviços abrangerem de forma equilibrada e satisfatória todos os utentes, não só quando tiverem as melhores tecnologias, e etc...mas sim quando os utentes e os doentes se comportarem de uma forma bem mais civilizada, quando perceberem que algo para funcionar bem tem que ter regras e que essas regras têm de ser respeitadas por todos. Não chega pedir que os outros cumpram os seus deveres para que os nossos direitos sejam salvaguardados, há que cumprir os deveres que nos são incumbidos para que possamos usufruir e exigir os nossos direitos.

Com efeito, constato que os problemas do SNS não passam apenas pelas instituições, estruturas e recursos humanos que prestam os serviços ligados à saúde, mas passam, também, pela melhoria comportamental daqueles que usufruem ou têm potencial em usufruir dos serviços de saúde.

Para que o SNS apresente qualidade e equidade é necessário haver regras, normas e cumprimentos das mesmas, de forma a que todos sejam beneficiados e ninguém prejudicado, ou seja, a liberdade individual, principalmente quando alberga um direito que a todos assiste, está limitada ao prejuízo do próximo.

Alguns cidadãos portugueses reagem no SNS como verdadeiros anarquistas e reaccionários, como que o SNS estivesse apenas preparado para ele, e os outros pouco importassem. Daí não ser de estranhar o pedido constante aos funcionários do SNS "um jeitinho", "é só isto, ninguém está a ver", "eu pago tenho direito", "sou contribuinte e ando a pagar para os de Lisboa", "não sei por que desconto se não tenho beneficio", "posso passar?", "O senhor é pago por mim".

Este desabafo resulta de 7 horas nas urgências no Centro Hospitalar do Alto Minho. Quanto ao serviço prestado pela unidade de saúde nada a referir, quanto ao comportamento de alguns utentes e doentes, muito a dizer...

Sei que muito há a melhorar no SNS, mas também sei que o doente e o utente podem dar uma grande ajuda à melhoria do nosso SNS.

Os canais que temos e das séries que já não temos

Passou anteontem (segunda-feira) na RTP 2, e à hora habitual, o último episódio da segunda season de Rome, talvez a melhor série de ficção histórica alguma vez produzida. Escusado será de dizer que a mesma ficou a cargo de uma co-produção entre a HBO (a gigante das grandes e belas séries) e a BBC. Não que eu disponha de muito tempo disponível para tal mas, com o final desta série, pouco me restará agora para visualizar nos canais de sinal aberto. À excepção de Calma, Larry (Curb Your Enthusiasm), em reposição todos os dias úteis na RTP2 a horas pouco recomendáveis, e Os Amigos de Brian (What about Brian?), uma série mais “pop”, do mesmo produtor de Lost, e que também findou na última quinta-feira, pouco ou nada há para ver naqueles canais. Note-se que esta última série, além da boa disposição reinante e do humor descontraído, oferecia o melhor estímulo, bem light diga-se, para se enfrentar o último, e o mais agradável, dia de trabalho da semana. Por sua vez, Calma Larry trata-se apenas de uma série estupidamente genial, num formato também ele algo original. Normalmente ninguém lhe dá uma segunda oportunidade, mas eu, eterno admirador de Seinfeld, acho as peripécias e todas as personagens com que Larry convive hilariantes. Há naquele ar resignado e tranquilo de Larry David face aos problemas e situações que lhe ocorrem qualquer coisa de extra-ordinária, ar esse, aliás, muito mais British do que americano...

Mas enfim, agora é esperar ansiosamente por uma reposição dos Sopranos na segunda-feira à noite, até porque as saudades de Tony e companhia já apertam...

P.S.: A propósito, por favor não digam a ninguém que eu sou um fiel seguidor de What about Brian?, não vá esta minha imagem, de antipático com a mania de intelectual céptico que só diz mal do CSI e congéneres, ficar totalmente destruída.

2007-07-18

Nova modalidade de turismo

Na última noite eleitoral surgiu uma nova modalidade de turismo - «turismo eleitoral», muitos não concordam, apelidando o fenómeno de "excursionismo eleitoral".
Concordo com a última versão. Na verdade, os homens da província infelizmente não têm dinheiro para pernoitar na capital, assim como a 2ª feira é dia de trabalho, árduo mas integro. A boa vida e as regalias ficam em Lisboa, pelos menos para os actores das festas e das cerimónias fúnebres. Os figurantes vão para as suas casas todos contentes porque fizeram de bonecos. Talvez este seja o propósito do povo português, servir de figurantes para meia dúzia de actores...
Uma coisa é certa, os actos eleitorais em vez de promoverem a fixação da popupalção para cumprirem o seu dever e o seu direito, fazem o contrário, ou seja, os que deviam votar no votam e vão passear ou ignoram as eleições, os que não podem votar, vão dar um passeio para a terra dos votos, mas não sabem bem porquê...
Mas como esta campanha eleitoral utilizou meios intelectuais tão arcaicos e redumintares fazendo, não rolar, mas sim, atordoar cabeças, talvez os "estrangeiros portugueses de cá" tenham percebido melhor o propósito do último domingo. Festejar com sorriso amarelo, pois ninguém saiu bem desta triste fotografia.

Intercalares Lisboa

"Mendes teve culpa, Portas teve sobretudo azar e Sócrates não tem razões para estar muito feliz"

in Blogue: 31 da Armada

Será?

Outras recomendações

Claustrofobia Now

"Há quem na direita aprecie a arrogância do Governo de José Sócrates, talvez porque a confunda com autoridade. Faz-me alguma espécie porém que essa mesma direita não valorize a liberdade de expressão e menospreze o ambiente de crescente claustrofobia democrática em que vivemos.
A defesa da liberdade contra os mais diversos tipos de socialismo - como provaram personalidades tão diferentes como Winston Churchill, Margaret Thatcher ou Ronald Reagan - faz parte dos pergaminhos da direita.
Ao contrário do que alguns parecem pensar o combate contra as tentativas de condicionamento da imprensa pode e deve ser um combate da direita. Também em Portugal.
Opondo-se a uma tradição histórica socialista - e do PS - de interferência e pressão sobre os meios de comunicação social, públicos e privados."

in Blogue: 31 da Armada

2007-07-17

Recomendo

Nem todos dormem!

Comissária Europeia critica interferência do Governo nos media

A comissária europeia para as questões de media deu esta manhã uma espécie de “puxão de orelhas” disfarçado ao Executivo português ao defender que os governos não devem interferir no conteúdo editorial ou nos códigos de conduta que regem o jornalismo. Viviane Reding falava na conferência organizada pelo grupo Impresa subordinada ao tema "Os Media da nova geração na era digital".


in jornal o Público

2007-07-14

O nosso Orgulho

É este o nosso orgulho caro Pedro?

2007-07-13

Evocações e novidades

Recordando um post de uma série d' O Juízo do Ega, aquele estabelecimento de questionável préstimo:

Grandes frases iniciais, grandes obras #5

Certa manhã, ao acordar de sonhos inquietos, Gregor Samsa viu-se transformado num gigantesco insecto.

A Metamorfose, de Franz Kafka.

E esta evocação vem a propósito da estreia, ainda hoje, do blogue Ao Terceiro Dia - Isto não está nada fácil, da responsabilidade do caro Paulo Vilaverde. Uma visita obrigatória a partir de hoje. Mas que belo dia para se começar as lides na blogosfera!


Da Liberdade - Indispensável

A Escolha - Provavelmente já fui a última pessoa a ler este magnífico artigo, à guisa dos que a pena de Rui Ramos nos tem vindo ultimamente a obsequiar. Foi publicado, e passem o pleonasmo, no Público de anteontem (11 de Julho). O In Verbis, o melhor portal privado jurídico em Portugal, fez a cortesia de o manter online aqui. Leiam e apreciem.

O artigo começa assim:

Aqueles que prescindem de liberdades essenciais para comprar um pouco de segurança temporária não merecem nem a liberdade nem a segurança - Benjamin Franklin (diplomata, inventor, político e jornalista norte-americano 1706-1790).
Quem diria, há uns meses, que íamos acabar assim, todos muito angustiados com a liberdade e a tolerância em Portugal?
Mas os factos são os factos...

2007-07-12

Uma reconciliação com Eça...

Foi com A Cidade e as Serras que se deu a minha reconciliação com Eça de Queirós. Terminei a leitura desta obra recentemente, e com ela, com a satisfação que ela me deu, cessou o período em que estive de pé atrás com Eça, o expoente máximo do Realismo português. E tudo devido ao O Primo Basílio, que li logo de seguida ao Crime do Padre Amaro, quando há uns anos me propus ler a obra integral do escritor, em termos cronológicos. Mas o desânimo e a frustração que a aborrecida obra me causou foi tanta que me vi obrigado a suspender tal desiderato intelectual. Mas enfim, agora reconciliado com o escritor e a sua obra, estarei totalmente receptivo à leitura de qualquer obra da sua autoria. A Cidade e as Serras, romance tardio e publicado postumamente, agradou-me bastante, sem no entanto me extasiar. A própria obra é, de certa forma, uma reconciliação do escritor, deixando de fora alguns caracteres que marcaram a sua fase mais vincadamente realista e naturalista. Apresenta uma escrita cuidada, mas não tão perfeccionista como eu desejava (o que se compreende numa obra publicada postumamente), e é todo um estilo mais maduro, mais descontraído e muito menos cáustico. Uma óptima obra, indispensável para qualquer amante da província...

Nota: Eça de Queirós é um genial escritor português e a sua obra O Crime do Padre Amaro é considerada unanimemente como a primeira obra realista portuguesa.

Das muitas citações curiosas e de elevado espírito que li, deixo apenas aqui esta, apanhada quase ao acaso:

Ora, nesse tempo Jacinto concebera um Ideia... Este Príncipe concebera a Ideia de que «o homem só é superiormente feliz quando é superiormente civilizado». E por homem civilizado o meu camarada entendia aquele que, robustecendo a sua força pensante em todas as noções adquiridas desde Aristóteles, e multiplicando a potência corporal dos seus órgãos com todos os mecanismos inventados des Teramenes, criador da roda, se torna um magnífico Adão, quase omnipotente, quase omnisciente, e apto portanto a recolher dentro de uma sociedade e nos limites do Progresso (tal como ele se apresentava em 1875) todos os gozos e todos os proveitos que resultam de Saber e de Poder... Pelo menos assim Jacinto formulava copiosamente a sua Ideia, quando conversávamos de fins e destinos humanos, sorvendo bocks poeirentos, sob o toldo das cervejarias filosóficas, no Boulevard Saint-Michel.

2007-07-10

Do mito grego de Deucalião e Pirra e da semelhança com o Dilúvio Bíblico

Já antes escrevi aqui do mito de Prometeu e do primeiro Homem e do mito de Pandora, a primeira mulher, e da aproximação que se pode, não sem alguma imaginação, fazer entre determinados mitos gregos e algumas das histórias vertidas sobre o velho testamento da Bíblia.

Ora, mais uma vez, faço notar que parece haver uma raiz comum a muitos dos mitos religiosos que trespassam as várias civilizações que o mundo já conheceu e conhece. E, em alguns casos, tem-se mesmo tentado encontrar explicações científicas para aquelas raízes comuns. É exemplo disto mesmo o mito diluviano, uma das histórias bíblicas mais profundas e moralmente mais trabalhadas.

O Dilúvio, além da mais conhecida história da Arca de Noé, encontrava-se bem presente em quase todas as civilizações mesopotâmicas. Aliás, até mesmo em relação às civilizações ameríndias pré-colombianas há registos de que também possuíram um mito semelhante, tal como parece ainda estar presente na mitologia de comunidades de algumas ilhas do Indico e Pacífico.

Mas é o mito que se preservou durante séculos na Grécia Antiga que aqui venho agora trazer à luz. Trata-se da fábula de Deucalião e Pirra, que chegou até nós através de Apolodoro de Atenas. Segundo reza este mito, houve na história da humanidade, uma “Idade do Ferro”, na qual o género humano vivia de forma infeliz e ímpia, em lutas e litígios constantes, e a todo momento provocava desgraças e injustiças. Ora, perante tal vivência humana, Zeus, o Rei dos Deuses, desagradado com a constante decadência dos homens daquele tempo, resolveu fazer desaparecer o género humano da face da Terra. E para esse intento provocou um dilúvio colossal, que submergiu toda a terra, desde as baixas planícies até aos altos cumes, de forma a que nenhum ser humano sobrevivesse. Nesta parte, a semelhança é evidente com a história bíblica, uma vez que o cataclismo também é desencadeado pela ira de Deus perante o comportamento calamitoso dos homens.

No entanto, e continuando, vivia naquela altura entre os homens um filho de Prometeu, mais uma vez Prometeu – uma constante nestes mitos – chamado Deucalião, que casara com Pirra, filha de Epimeteu e de Pandora. Quando Prometeu, devido à sua natureza também divina, soube da intenção de Zeus, quis salvar o seu filho e aconselhou-o a construir uma grande embarcação sólida, capaz de resistir à força das águas do Dilúvio. E, de facto (não historicamente claro está), Deucalião seguiu o conselho de seu pai: construiu uma forte barcaça, que durante nove dias (ao contrário dos 40 do relato bíblico) flutuou com segurança e salvou Deucalião e sua mulher Pirra. Após o fim do dilúvio, e depois de terem desembarcado em segurança, constataram que tinham desaparecido todos os homens, apenas ficando vivos naquele triste terra Deucaliao e Pirra. O mito depois continua, e até é deveras curiosa a forma como foi a terra novamente repovoada de homens e mulheres. Mas isso, para não vos aborrecer ainda mais, fica para outra altura meus amigos...

Pese embora a fascinação deste mito menor grego antigo diga-se, para concluir e em abono da verdade, que a narrativa bíblica correspondente – a Arca de Noé – apresenta toda uma imponência e toda uma construção moral incomparável com qualquer outro mito diluviano.

A explicação mais plausível, mas não totalmente convincente, para uma hipotética catástrofe regional, ou mesmo global, parece residir, pelo menos em relação aos mitos mesopotâmicos, grego e hebraico, na teoria do rompimento súbito e catastrófico, devido a uma subida gradual do nível do mar, do actual estreito do Bósforo, que terá alagado repentinamente toda a região ocupada hodiernamente pelo Mar Negro. É a teoria sugerida por, entre outros, Robert Ballard, o mesmo investigador marítimo que encontrou os destroços do Titanic aqui há uns anos. Podem conferir mais aqui e aqui.

Futebol e sua importância

A jornalista Clara Viana, num artigo publicado no Jornal “O Público”, sobre um recente estudo subordinado ao tema “Identidade Nacional” elaborado pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, intitulou-o com a seguinte frase: “ A História e o Futebol são o motivo de orgulho para os portugueses...e as artes”.
A mesma refere, que para os portugueses, o segundo maior motivo de orgulho em Portugal é, logo a seguir ao passado histórico, o Futebol. Estes resultados são bem elucidativos da importância e da intensidade com que os portugueses vivem o Futebol.

2007-07-07


LIVE EARTH (07-07-07)
Vale a pena preservarmos a nossa bela casa, pois sem ela não podemos viver.

2007-07-06

Quem merece é assim!

Baiona foi o primeiro porto da Europa que recebeu a notícia da Descoberta da América. No dia 1 de Março de 1493, a Caravela Pinta, comandada por Martín Alonso Pinzón, atracou nestas águas.

Agora será a vez de um grupo de 16 portugueses aqtracarem por essas terras espanholas e deixar a boa nova dos lusitanos nortenhos. AS palavras de ordem serão boa vida, qualidade de vida, alegria, festa e confraternização.

Não me responsabilizo por actos menos dignos de companheiros de férias...



Para quem merece 3 dias de férias em Baiona é mais que bom, é excelente.
Tenho pena de não puder contar com a companhia do Edgar e do Guia. Numa próxima oportunidade talvez possamos estar todos juntos.
No início da próxima semana dou-vos a conhecer mais sobre Baiona o que se lá passou realmente este fim-de-semana.

Bom fim-de-semana para todos! :-)

A importância do conhecimento

(...)verificamos que no novo enquadramento mundial gizado e pautado pela globalização e pelo avanço tecnológico, o conhecimento tornou-se num factor competitivo e, portanto, na principal riqueza das nações, das empresas e das pessoas. Podendo, no entanto, vir a constituir o principal factor de desigualdade, inclusive para aqueles que não acompanham e revelam atrasos esrtruturais na adopção dos novos paradigmas do conhecimento. Neste novo fenómeno perderão primeiro os que só depois aprendem as novas regras.

2007-07-05

E agora só uma curiosidade para descontrair...

Querem saber qual a música que estava em primeiro lugar do top no dia em que nasceram ou em qualquer outro dia? É só clicar aqui, seleccionar a data e depois clicar na bandeira do país. (Disponível apenas para os top charts desde 1950 do Reino Unido, E.U.A e Austrália)

No dia em que este vosso escriba nasceu, era esta a música que mais se ouvia:



Karma Chameleon - Culture Club

Karma Karma Karma Chameeeeeeleon...

São os anos oitenta meus amigos! Os magníficos anos oitenta, que tão bela música produziram. O mesmo não se diga dos penteados e vestimentos dos intérpretes. Mas enfim, não se pode ter tudo...

2007-07-02

Mails que gosto de receber logo pela segunda-feira de manhã...

De uma newsletter oriunda de uma livraria online que abri hoje logo que cheguei ao meu local de trabalho:
Olá!

Com a chegada do Verão é tempo de preparar o grelhador, comprar boas carnes ou peixe fresco, colocar a cerveja a gelar e preparar um magnífico churrasco!

Grelhados - Um Saber Bem Português é um manual completo para os "churrasqueiros" amadores. Neste livro está tudo o que precisa saber para o seu churrasco sair perfeito e ser um sucesso.
Assim sim meus amigos, que belo início de semana de trabalho!
Uma boa semana para todos!

2007-07-01

As nossas referências democráticas...


Mário Soares numa das suas últimas intervenções públicas esteve ao seu melhor. Mostrou abertamente o tipo de comportamentos e de atitudes que têm pautado a sua vida política e os conselhos que tem transmitido habilmente a quem lhe reconhece valor ou a quem lhe tem dado atenção para não colocar em risco o seu futuro.

Este homem, considerado para muitos um grande vulto da política portuguesa, criticou o governo no caso de Vieira do Minho. Novidade para muitos, estranheza para outros.

No entanto, o auto-intitulado grande defensor das liberdades, e em certa parte reconhecível, não dirigiu a sua critica à violação dos princípios de liberdade, à promiscuidade entre governo e aparelho partidário, à moda de bufar colegas de trabalho a superiores e à perseguição política. Dirigiu sim, à forma como o governo utilizou um meio para atingir um fim, pois, segundo ele, o caso foi negativo porque, vejamos só, "provocou mossa ao governo". Ou seja, mais uma vez à boa maneira do P.S. o conteúdo pouco vale quando comparado com a imagem e a forma. O que interessa são os fins, os meios, independentemente da sua natureza, estão apenas ao serviço do resultado final.
Mais, a liberdade de expressão é de dignidade superior à autocensura

Tenho a impressão que o Mário Soares se converteu aos princípios da "mão invisível" de Adam Smith. Seja-lhe reconhecido o mérito, ele lutou e batalhou incansavelmente pelas suas liberdades e, como todos podemos constatar, conseguiu indiscutivelmente! Pois, tanto no passado (depois do 25 de Abril) como no presente, sempre fez e sempre disse o que lhe apeteceu sem que lhe dissessem ou fizessem algo. Resta-nos a nós perante um exemplo tão positivo fazer o mesmo, para que a procura do bem individual se traduza no bem de todos...
Assim se encontra a defesa da liberdade pelas referências das terras lusas, isoladas e obscuras. Isto para não falar da dita conspiração de Belém protagonizada por Jorge Sampaio, ou ainda para não citar Almeida Santos nas suas nomeações de Presidentes de Câmara que devem ser arguidos e culpados. A decisão terá sido tomada depois de um belo jantar com um bom vinho oferecido por um responsável autárquico? Ou, então, terá sido no Casino Estoril na roleta russa?
Caso para dizer que a ética e política são como a água e o vinho: não se misturam. Logo, política e moral não se relacionam...

Para não esquecer! São tantas...


Depois do caso do professor Charrua na região Norte e da tentativa de condicionamento do "Eng." Sócrates sobre os jornalistas no caso da Licenciatura, temos agora o caso da Directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho.

Só para não esquecer! É que começa a ser demais, e importa salvaguardar pois alguém pode sofrer de Alzheimer ...Talvez em 2009.

O SNS português está de boa saúde e recomenda-se. Apesar da sua idade e das várias doenças que lhe têm sido diagnosticadas, muitas delas crónicas e resultado de vários vícios nefastos, têm bailado alegremente, e de que maneira, ao som dos interesses dos partidos.

Caso para dizer que até o folclore de Viana do Castelo ficou com inveja...

Façam as vossas lutas partidárias, mas, por sobrevivência da democracia e respeito ao povo, não belisquem os direitos dos portugueses e cumpram os vossos deveres. Alguém da história de Vieira do Minho não tinha alguma ligação partidária? Tirando os utentes/pacientes, ninguém...

Os primeiros a defender retoricamente as liberdades, são os primeiros com os seus tiques e sua intolerância a violá-las e a limitá-las.

Somos todos iguais, mas uns mais do que outros...

Período crítico dos incêndios florestais



No Período crítico, que decorre entre 1 de Julho e 30 de Setembro, é expressamente proibido para bem de todos nós:

  1. realizar queimadas e fogueiras;
  2. lançar foguetes;
  3. fumar ou fazer lume de qualquer tipo no interior das áreas florestais;
  4. trabalhar em espaços rurais com maquinaria sem dispositivos retentores de faúlhas e tapa chamas sem extintores;
  5. depositar madeiras e sobrantes nas faixas de limpeza.

Cumprindo estas normas simples, teremos todos nós um Verão bem mais verde e cheio de ar puro para respirar. Só assim poderemos retirar as máximas potencialidades daquilo que nos é facultado pelo mundo em que vivemos sem prejudicarmos o próximo e as gerações futuras, tendo sempre por base e nunca esquecendo o respeito pelo Meio Ambiente.

O casamento e o estado civil


Para as religiões, nomeadamente a Católica, o casamento é um sacramento. No caso da sociedade, é considerado um ritual/formalidade. Já para a cultura, o mesmo pode ser entendido como tradição. E, por fim, para o Estado e para os indivíduos, a união pode e deve ser um contrato, com obrigações legais daqui resultante.

Sabendo que o casamento é um contrato, e, supostamente, todos temos o direito de casar, qual a razão de ser-mos beneficiados ou prejudicados pelo Estado em consequência do exercício desse direito. Poderão os solteiros serem prejudicados em relação a quem é casado? A liberdade e a iguadade entre os indivíduos são mantidas?

Com efeito, o Estado reserva o direito de não abolir o casamento, pois, na verdade, seria uma violação intolerável dos direitos individuais, no entanto, será legítimo e oportuno, no sentido da igualdade e liberdade, abolir o «estado civil»? Qual a finalidade do estado civil?

A sociedade seria completamente reestruturada e os princípios, alguns já abandonados, da cultura judaica –cristã / greco romana, sofririam mais uma trsnformação na sua essência, dando lugar, portanto, a outros valores e a uma nova fase.

A união indissolúvel, celebrada por um sacramento, substituiu antigos costumes de poligamia, provocando grande mudança nos hábitos europeus.
Talvez os hábitos mais antigos possam ressurgir

2007-06-29

100º Post

Em pouco mais de 1 mês após a sua criação humilde mas honrosa, o blogue Esp@ço da Liberdade Democratica comemora o seu 100º post. Estamos todos de parabéns!
Apesar do marco importante, não é tempo de avaliações. Na verdade, só quando este espaço fértil tiver o seu fim, ou quando o seu fim estiver anunciado é que faremos as devidas avaliações. Até lá terão que esperar muito. Esperamos nós...

Aproveitamos o singelo momento para agradecer a todos os colaboradores directos deste espaço e para saudar todos os nossos visitantes que têm contribuido de forma democrática e, em parte, dado uma interessante e determinante motivação aos autores do felizardo. Apelamos a um maior número de visitas, de forma a que o presente blog faça parte do vosso quotidiano, na medida em que, sempre que puderem e entenderem, façam o vosso comentário que utilmente fomenta o debate e o aprofundamento de ideias.

Desejamos que a chegada aos 200 post's seja ainda mais rápida do que a chegada ao 100º. E que os fios condutores dos post's sejam os princípios fundadores deste espaço único e amistoso. Porque a amizade não se imita nem é um bem negociável, a amizade constroi-se...
O momento é de celebração mas não de euforia. A cada momento, particularmente, a cada dia que passa, a cada post publicado, a cada visita efectuada e ainda a cada comentário registado, o sentido de responsabilidade de todos os obreiros deste "cantinho à beira mar plantado" é ainda maior.
Fica-nos claramente a sensação que temos de fazer ainda mais e melhor. O nosso público é exigente e o nosso espírito reflexivo também. No fundo, este blogue permite a partilha de conhecimentos e experiências, assim como o aprofundamento das mesmas. A cidadania mais que um direito é um dever.

A exigência nunca nos assustou, pelo contrário, sempre nos estimulou!

As incoerências...


Voltando às incoerências das leis e da intervenção do Estado, cito neste espaço livre e democrático o desajuste que existe quando o Estado, por um lado, pretende intervir nas decisões individuais e, por outro, decide o contrário, ou seja, prestar liberdade total de decisão ao indivíduo, mesmo que essa liberdade prejudique "terceiros".

No programa Simplex "o divórcio na hora" obriga a um conjunto de procedimentos legais que permitem o repensar da decisão, mas já no que diz respeito ao aborto, o Estado dispensa qualquer aconselhamento para demover as grávidas a abortar.

Nas intervenções Estatais pede-se coerência...

O cidadão é obrigado a tomar café sem açúcar mas tem liberdade total para comer gomas.

Nepotismo, puro e duro




Sem comentários...

2007-06-28

E por falar em detonações...

E ainda a propósito de maravilhas, o que eu daria, meus amigos, para assistir, com a pompa e circunstância do costume, à implosão deste prédio às mãos do Ex.º Sr. Eng. Técnico José Sócrates, assim uma coisa à semelhança do que nos foi dado ver com as Torres de Tróia. Não fosse o caso desta "maravilha" da arquitectura portuguesa contemporânea, sita em Covilhã, um projecto de habitação do arquitecto Pinto de Sousa, pai do actual Primeiro-ministro.

(Via blogue As 7 Grandes Aberrações de Portugal (aqui), uma iniciativa do Tal&Qual, estabelecimento no qual aquela e outras maravilhas deste cantinho à beira-mar plantado poderão ser devidamente apreciadas.)

O aplauso justo e usado

"A verdadeira democracia
A força de uma democracia está no Parlamento. Num Parlamento que é duro na crítica ao governo, mas caloroso quando se despede de um primeiro-ministro."


in http://www.atlantico-online.net/blogue/


Na verdade, quando a discussão de ideias é feita entre homens que trabalham e lutam para o bem comum e para o mesmo objectivo, ou seja, quando todos querem realmente contribuir para o desenvolvimento da nação, torna-se obrigatória a existência de sinceridade e de frontalidade na esplanação das ideias. Esta vivacidade na emoção e na intervenção, só contribui para a qualidade do debate. No entanto, não confundamos forma e substância...

No final, quando o resultado é satisfatório aplaude-se independentemente de quem ganha ou perde, de quem é poder ou oposição. Se o resultado é satisfatório, a nação ganhou e, portanto, todos ganharam. Para essa vitória todos contribuiram.

O Sistema Inglês dá exemplos políticos, democráticos e parlamentares em vários campos, este é mais um...

P.S. Talvez o problema da democracia portuguesa esteja mais no parlamento do que no governo. O parlamento está descredibilizado perante o povo, pois este não lhe reconhece funcionalidade e eficiência na discussão, supostmamente séria, e ainda desconhece concretamente a sua capacidade de decisão.

Com isto, os governos ficam mal habituados, exigindo sempre a maioria absoluta. Na realidade, compreende-se. Quando não a têm, os governos vivem de parlamentos de coligações tera efémeras ou de coligações limianas.

Falta-nos o espírito do debate vivo e sério tendo sempre por base o objectivo comum...

A Europa e o Referendo

No caso português, o melhor contributo que se pode prestar à Europa e à sua construção é a realização de um referendo sobre o novo Tratado. É verdade que caso haja referendo a taxa de abstenção em Portugal será significativa, mas é uma oportunidade que se dá aos portugueses de participarem directamente. Cabe a eles decidir. É uma oportunidade para os portugueses dizerem sim ao Tratado, mas, ao mesmo tempo, dizer um sim à Europa. Algo que na altura da adesão não nos foi facultado.

O medo que a Europa tem apresentado em enfrentar a opinião do cidadão não contribui em nada para a aproximação dos cidadãos europeus à Europa, que só existe para beneficiar os seus cidadãos. O seu futuro depende do aprofundamento democrático, do princípio da subsidiariedade e da participação pública contínua.

Após a promessa eleitoral, o governo começa tacticamente a desviar-se do seu compromisso, alegando que ainda não se conhece o texto final do tratado e que o mesmo será diferente do tratado rejeitado. Segundo o mesmo, será um Tratado Internacional sem carácter Constitucional. Na verdade, o conteúdo poderá, supostamente, ser diferente ou ser um resumo do Tratado chumbado, no entanto, continua a ser um Tratado e que pela vontade de o aprovar e respectiva euforia deverá certamente de conter a sua relevância. Ou este Tratado servirá apenas como um tónico, e pouco mais do que isso, para dar um pequeno impulso à construção europeia que neste momento, apesar dos alargamentos, se encontra parada.
Ou, então, servirá como serviu o Tratado de Nice, para pouco mais do que nada.

Mas esta pressa em aprovar o tal Tratado sem se proceder a um acto que é legítimo e que contribua , pelos menos em Portugal, para a aproximação dos portugueses à Europa, pois para além das sessões de esclarecimentos, que surgiriam antes da votação, o cidadão português sentiria que estava a participar numa decisão europeia, pode remeter-nos para outro cenário e talvez o mais óbvio. Nomeadamente, que o essencial do antigo Tratado Constitucional será o que irá constar no novo Tratado que contemplará muito do que serviu aos populares de França e Holanda para o rejeitar em referendo. Um reformulação coméstica sem o abalo do paciente.
Não seria errado Portugal dar o exemplo contrário e assumir o referendo. Por certo, o referendo seria aprovado, e neste caso serviria de impulso positivo a outros outros países europeus. Para que não haja referendos por essa Europa fora os líderes europeus terão de manejar a situação interna dos seus países com mãos de pinça, sob o risco de não conseguirem evitar o “perigoso” referendo e despoletando de forma negativa a realização de referendos.

De uma coisa não tenho dúvidas, os receios e os medos continuam... Os fantasmas da França e da Holanda pairam nas elites europeias, que querem uma economia competitiva baseada no conhecimento mas que não reconhecem capacidades aos europeus para decidirem .

Afinal, tantas noites curtas para longas discussões para quê? Para delinearem a estratégia de aprovação do novo tratado, sem ser necessário o recurso a referendos, pois qualquer experiência negativa com o referendo poderá servir de estimulo a outros países, e assim, segundo os medos deles, deitar por terra o novo tratado. A U.E ., de uma forma implícita e não escrita, ou seja na sombra, impôs e inferiu directamente na política dos seus estados-membros, restringindo o seu leque de opções. No caso português, uma promessa e uma convicção foram esbatidas pelo sussurrar europeu. Talvez isto reflicta algo.


O tratado é outro, mais simples e talvez uma versão lith do anterior, assim como o contexto europeu modificou-se com os novos líderes políticos, que com estilos e vontades diferentes e convictas poderão permitir a transparência e a resolução. Mas, neste momento, a claridade das decisões é igual às madrugadas das discussões. Não coloquemos expectativas excessivas nos novos autores/actores europeus... Mas que um novo ciclo começou, começou.

Se o tratado é o melhor para a Europa como defendem os seus políticos, também o povo, caso esteja esclarecido, o perceberá e dará a necessária carta branca para o arranque e aprovação do Tratado.

Hoje, segundo o 1º ministro e o Presidente, não é oportuno comprometerem-se com referendos, porque tudo está numa fase embrionária, e seria prematuro tomar decisões que poderão ser precipitadas. No entanto, quando tudo estiver resolvido, os mesmos dirão que o referendo não valerá a pena porque será uma perda de tempo e de dinheiro, podendo a Assembleia ratificar o Tratado.

O escondido e o varrido para debaixo do tapete acabará por aparecer, mais tarde ou mais cedo...Quem perderá com isso serão as gerações futuras, será o processo que teve início na década de 50.

Não devemos ter medo da vontade popular. O argumento de luta política é usado por quem não tem fundamentos válidos a favor do desfazer de uma promessa e do que deveria ser o mais óbvio.

2007-06-27

"(...)a aposta no conhecimento não cabe apenas aos órgãos de decisão, compete também aos diversos agentes intervenientes na sociedade, - cidadãos, empresas e instituições - participarem activamente no processo de aprendizagem. Na realidade, o objectivo é comum e o resultado, que a todos influencia, depende do desempenho de todos nós."

2007-06-25

É tempo de praia

Praia do Cabedelo: Darque, Viana do Castelo


Venho por este meio, alertar para a necessidade de preservarmos as nossas praias, agora que se inicia a época balnear, período no qual estes espaços naturais se tornam verdadeiros núcleos de concentração de pessoas sedentas por um pouco de Sol e Mar.

Devemos ter o cuidado de não deitar lixo para o areal, especialmente quando temos sempre contentores próprios para os nossos resíduos e sempre que possível depositar nos contentores selectivos, contribuindo para a reciclagem.

Devemos ter o cuidado de não caminhar nas dunas, por forma a preservarmos o cordão dunar, que protege a praia da erosão. Devemos optar por andar sempre sobre os passadiços de madeira colocados estrategicamente ao longo dos acessos de entrada e saída das praias.

Devemos respeitar a cor da bandeira colocada pelos nadador salvador, para que o trabalho deste seja facilitado e possamos usufruir de um Verão seguro.

Devemos evitar levar os nossos melhores amigos, os cães, para a areia, sendo assim evitado o risco de contágio através das fezes e pêlo dos animais, dos veraneantes.

Devemos aproveitar o Verão e usufruir da praia como um espaço de eleição que a Natureza nos oferece.

Afinal...

Afinal parece que a nova lei de restrição ao tabaco em locais públicos, não será tão rigorosa como se esperava.


Sucede que o Governo português parace ter recuado, e pretende fazer aprovar um diploma onde será deixado à opção dos proprietários dos espaços mais pequenos, a decisão sobre se será permitido ou não fumar.


Os proprietários destes espaços, poderão criar áreas mistas, só para fumadores e não fumadores ou deixar tudo como está.


Como frequentador de espaços de convívio mais pequenos, estou preocupado.


Afinal...

2007-06-24

A tradição já não é o que era...


Estranhos tempos estes em que vivemos... E ainda há quem fale em Aldeia Global! Numa aldeia vivi eu em tempos. Não estou certo, mas lá terá vivido também Caeiro, o mais sincero dos poetas, pela sua natural espontaneidade. De aldeia, esta sociedade já nada tem, porque, na verdade, sinceridade é coisa que cada vez mais falta vai fazendo ao Ser Humano. E não julgue o meu amigo que perderei tempo a falar da falta de sinceridade do Homem para com o seu próximo.
Pretendo escrever apenas umas linhas e para desenvolver esse tema, creio que gastaria toda a minha vida... sim, o meu amigo leu bem... Gastaria. Perdoe a minha descrença, mas não vejo solução para o egoísmo humano. Já é tão tristemente natural que nem me entristece mais!... O que me entristece realmente é a falta de sinceridade do Homem para consigo. É a forma como vulgariza ou despeita a divina benção que é a Vida. O leitor amigo não atribua qualquer conotação negativa às minhas palavras...
Aceito a interpretação camoniana... De facto, "mudando-se os tempos, mudam-se também as vontades", mas estamos num período em que a mudança adquire por vezes contornos perversos. O Homem não comunica com o seu próximo... Nem consigo mesmo... Ou, se comunica, sobrepõe a intensão hedonista materialista à humanidade com que vaidosamente sempre se distingiu das irracionais feras. Na aldeia em que eu vivi, comunicava-se com a voz do coração... Essa sim, a verdadeira voz universal, que vive na ameaça da extinção.


Ai que saudades da tradição... daquele ritual puro em que demorava uma hora a cumprir o trajecto da minha rua, porque em todas as esquinas havia uma voz sincera, que na sua simplicidade nos ensinava tudo aquilo que verdadeiramente vale a pena aprender... Ai que saudades da minha aldeia... que saudades do tempo em que as pessoas comungavam umas das outras...

2007-06-23

As Sete "Maravilhas" de Viana do Castelo

1. Prédio Coutinho.
2. Monumento ao 25 de Abril.
3. Edifício da Marina.
4. Novo funicular do ascensor de Santa Luzia.
5. Praça de Touros de Viana do Castelo.
6. Novos edifícos da Câmara e Biblioteca Municipal.
7. Novas avenidas despidas de árvores (Combatentes, Papanata, Atlântico, etc.).


Nota: Já que se avizinha uma iniciativa qualquer deste género em Lisboa, aproveito e faço aqui o exercício correspondente, aplicado agora à "nossa" cidade. Não encontrei imagens para todas, mas as que têm basta clicar.

Convido os meus ilustres colegas deste estabelecimento, e também os nossos estimados leitores e comentadores, a fazerem o mesmo exercício.


Sugestão Musical para o fim de semana



Cause We've Ended as Lovers - Jeff Beck

Este fim de semana deixo-vos este magnífico solo de guitarra eléctrica. Um tema composto por Stevie Wonder, mas tocado magistralmente com os dedos de Jeff Beck, no não menos magistral álbum Blow by Blow (Março de 1975).

Um bom fim de semana é que o desejo a todos!

2007-06-22

O Aborto e a Taxa Moderadora


Quem optar livremente pela IVG até às 10 semanas (Interrupção Voluntária da Gravidez), Aborto, não pagará Taxa Moderadora nos Hospitais Públicos com competências para realizar o respectivo.

No entanto, quem se deslocar ao Hospital, nomeadamente às urgências, pagará a Taxa Moderadora e, se porventura, for necessário pernoitar uma noite terá que acrescentar ao seu pagamento o valor de 5 euros.

O mais gritante, a meu ver, é que as grávidas pagarão a Taxa Moderadora ao contrário daquelas que vão abortar.

Porquê esta desigualdade entre os dois utentes? Expliquem-me, porque eu não estou mesmo a perceber esta lógica. É isto igualdade?

Depois de terem falado e falado do modelo Alemão em termos da IVG, o modelo adoptado pelo Estado portugês em nada tem a ver com o referido. Nós fomos mais além, dizem eles...O certo é que até na campanha sobre uma questão tão delicada as omissões e as mentiras fizeram parte da campanha.

A pergunta remetia-nos para um pensamento/opinião, mas a classe política interpretou a seu belo prazer os resultados do referendo e, portanto, legislou como lhe convinha.

Não, não foi cumprida a vontade do povo, pois, na verdade, se por um lado, a pergunta não era objectiva, por outro, a campanha não foi no sentido do resultado final (lei) e, o povo que era a favor da alteração da lei, desejava que que essa modificação permitisse uma lei semelhante ao modelo Alemão.

Mais, muitos portugueses, andavam tão esclarecidos que nem sabiam das excepções que a lei antiga contemplava...

A presente lei sobre a IVG radicaliza por completo a opinião dos portugueses... O governo já que não se tem identificado em algumas acções, ou anúncios (como queiram), com ideologias/pressupostos de esquerda, aproveita as questões fracturantes, para se considerar progressista. E assim vai levando a água ao seu moinho (popularidade).

A grande aposta deveria ser no planeamento familiar e na sensibilização. Tendo em conta os resultados do referendo, o modelo Alemão em conjunto com as apostas referidas seria, no meu entender, a alternativa mais viável. A par da nova lei do aborto, quais as referências ao planeamento familiar? Nehuma...

"Mais de metade dos centros de saúde, hospitais e delegações do Instituto Português da Juventude fecharam as portas aos jovens que procuraram planeamento familiar a pedido da associação de defesa do consumidor DECO." 2007-05-28

A atitude deste governo faz-me lembrar a conversa daqueles sobrinhos que andam sempre de volta da Tia com boas intenções, e que, segundo as palvras deles, estão prontos sempre para ajudar, mas o objectivo final deles, cru e nu, é apanhar a herança das inocentes Tias.

Hoje, 10 anos depois, reconheceu-se, e até se pediu desculpas, que afinal o cannabis provoca graves danos para a saúde dos consumidores, particularmente ao nível de sistema nervoso central. Talvez daqui a uns 20 anos, ou ainda menos, se peça desculpa e se modifique a lei em relação à IVG, porque realmente, segundo os mesmos, liberalizar o aborto foi um atentado à vida humana e à sua dignidade.

Por tudo isto pedimos desculpas...

2007-06-21

Devaneios para reflexão...

O cristianismo não tolera a poligamia, mas temos o caso evidente dos muçulmanos que assumem, abertamente, esta prática onde cada indivíduo pode ter 4 esposas.
O Islamismo, posterior à poligamia, limitou-se a regulamentar a poligamia, estabelecendo 4 como o número máximo de mulheres disponíveis por homem.


Uma sugestão ao Zapatero! Reflectindo...

Já que o Primeiro-Ministro espanhol regularizou os “casamentos”/”contrato de relações” entre homossexuais, sugiro ao governante que siga o exemplo dos quirguizes e legalize a poligamia, permitindo o “casamento”/”contrato” entre mais de duas pessoas.

E se a poligamia é realmente maléfica e um atentado ao pudor, como alguns defendem, como explicar que o profeta Moisés, Abraão e as outras figuras emblemáticas da história tenham tido uniões polígamas?
Assim como, determinados comportamentos que eram proibidos, mas que pelo facto de estarem enraizados nas sociedades, passaram a ser legalizados, também a infidelidade, que está extremamente enraizada nas sociedades, deveria servir como argumento para legalizar a poligamia.

Se existe a necessidade de proporcionar o direito à diferença e à igualdade, também aqueles que desejam ter um compromisso validado pelo Estado com mais que uma pessoa, devem ter a mesma liberdade. Deste modo, o Estado não deve proporcionar obstáculos à contratualização da poligamia.
Poder-se-á promover a igualdade a um heterossexual e a um homossexual e não a um poligámico?

Na verdade, e percebendo os problemas dos divórcios derivados das infidelidades, há quem defenda a valorização da família através da validação Estatal da poligamia. Segundo os mesmos, os filhos seriam os que ganhariam mais.

Em muitos países sub-desenvolvidos a prática de poligamia tem vindo a ser proibida ou marginalizada por contribuir para o excessivo crescimento populacional. Neste sentido, talvez a poligamia seja uma estratégia de combate ao reduzido crescimento populacional na Europa e ao preocupante envelhecimento.

Veja-se o caso Russo: "Na Rússia, leio, existe uma importante percentagem de muçulmanos. Motivos vários, que passam também por factores demográficos e económicos começa a discutir-se mais seriamente legislação que regule e legalize o que vem sendo uma prática crescente naquele - não só naquele - país: a poligamia e poliandria."
BOOKS OVER THE FLOOR by...Old Mirror


Também é verdade que se continuarmos com este ritmo de crescimento populacional, seremos, inevitavelemente, menos europeus e, portanto, a poligamia nesse período já estará intrínseca na sociedade europeia.

E por que razão é que se há-de proibir a poligamia, que é comum noutras zonas do mundo? Poderemos eventualmente não a defender como opção de vida, mas com que direito a sociedade pretende regular este aspecto da vida privada de pessoas adultas?


Se três ou mais pessoas quiserem viver juntas, o que temos nós a ver com isso? Ou casar com uma pessoa do mesmo sexo é aceitável e viver com duas pessoas com as quais se mantém uma relacção afectiva não?

Contudo, para uma reflexão mais aprofundada, devemos ter em conta que a legalização da poligamia criaria problemas que não estão presentes na legalização do casamento entre homossexuais. Na verdade, toda a legislação sobre o casamento (questões de heranças, cônjuge a cargo, fiscalidade, etc.) foi realizada na premissa de que o casamento é entre duas pessoas de sexo diferente, pois, na legislação portuguesa, o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo é inexistente. É por isso que legalizar a poligamia seria muito mais complexo...

Mais, se existem culturas diferentes é porque cada uma tem as suas especificidades que dão o seu carácter único e identitário. E nós somos ocidentais...

A Fidelidade

Muito do que se tem despenalizado e liberalizado vai no sentido da desresponsabilização individual e Estatal(Não se aplica no caso da fidelidade. E, com muita pena minha, a tendência tende para a perda de valores, nomeadamente a decadente fidelidade. Não é que ela tenha existido na sua planitude alguma vez na história, mas o que parece normal e aceitável nos dias de hoje é a infidelidade.


Queiramos ou não, a fidelidade é um compromisso que se assume com o/a parceiro/a,na realidade. se não somos capazes de assumir um compromisso com a pessoa com quem mais amamos, vamos assumir e cumprir com quem?

Por hoje só isto...


Caro amigo Pedro,

Mui grato estou pelas palavras amigas em relação ao artigo que publiquei no mais antigo Jornal de Portugal Continental, A Aurora do Lima, que para quem desconhece trata-se de um jornal regional (sai à estampa em Viana do Castelo duas vezes por semana) de elevado prestígio, que teve em Camilo Castelo Branco um dos primeiros colaboradores e impulsionadores, já nos idos do séc. XIX.

Em breve colocarei, a pedido do meu prezado amigo, o referido texto neste estabelecimento.

Mas por hoje, só isto:

Nós caminhamos sempre na vida entre duas visões; uma precede-nos esplêndida e brilhante, como a luminosa aparição que dirigia no deserto a marcha do povo hebreu; outra segue-nos, formosa e pálida, como as virgens ideais dos cantos escoceses. São a esperança e a saudade.

In As Apreensões de uma Mãe, conto da autoria de Júlio Dinis reunido sob a antologia Serões de Província.

Haverá povo algum na história, que não o português, que tenha levado tão a sério o juízo contido nesta bela citação?

2007-06-20

Ainda e sempre, e outras coisas que nada têm a ver mas que não deixam de ser estranhas

(nota: este post é só para chatear uma certa e determinada pessoa, e não, não é o caro Pedro Rego nem o prezado Jorge A.)

No seguimento do que aqui se tem falado, e também noutros distintos estabelecimentos (aqui e aqui), ainda há-de chegar o tempo em que para se beber uma boa cerveja a acompanhar uma bela de uma francesinha será necessário organizar uma reunião altamente secreta e clandestina, à guisa do que se fazia no tempo do outro senhor, mas naquela altura para conjurar revoluções e coisas afins...

Tempos negros se avizinham para os que apreciam a liberdade e uma boa taina!

E agora uma coisa que não tem nada a ver: não sei se é do adiantado da hora e o facto de eu já não conseguir distinguir muito bem as letras que aqui escrevo, mas o ecrã do meu telemóvel aparece ao contrário, mesmo de pernas para o ar, a imagem e as letras invertidas! E não consigo voltar a pô-lo normal. Explicam-me tal coisa, ou isto é obra de Belzebu?